sexta-feira, 1 de abril de 2016

Não sabia

Mais um dia em que se põe a máscara diária para se aguentar a pressão da vida e se deixam os sonhos na cama. E eles são tantos.
Tenho escrito centenas de textos mas nenhum parece ser apropriado para expor ao público, por um simples motivo: só faz sentido na minha cabeça.
De qualquer uma das formas, quem é que se importa?
Muitos dias passaram desde aquela quinta-feira horrível. Muitos pedaços do meu coração se despedaçaram por ter ouvidos aquelas últimas e fatais palavras. Fatais, exacto, termo correcto para descrever o que senti. O que, por vezes, ainda sinto.
Não tem sido fácil imaginar um futuro tão só e vazio quando era suposto ser tão colorido, tão paradisíaco. Tínhamos o mundo aos nossos pés mas preferimos recuar. Há quem lhe chame estupidez, há quem lhe chame consciência da realidade. E eu, muito sinceramente, não sei qual pior.
Não, não voltei aos antigos e péssimos hábitos. Se bem que vontade não faltou. Soube cumprir a promessa e continuarei a saber cumprir.
Engraçado, não é? Ontem foi o dia das mentiras e hoje eu publico um texto. Até parece que foi tudo mentira. De uma certa forma, pela lógica ilógica das palavras faz sentido. Foi tudo demasiado bom para se poder comparar à realidade. Não se devia comparar a nada porque foi incomparável. Foi incrível. Foi. Já não é. Já não resta nada. A única coisa que nos resta é a realidade. E o facto de a termos que encarar. Todos os dias. E é tão árdua. Tão dura. Tão cruel. Nada a ver com como era. Oh, espera, não vou comparar mais. Já chega. Sim, já chega.

Às vezes ainda dói. Às vezes ainda sinto. Às vezes não aguento. Mas não me resta mais nada senão aguentar. Não, não sou infeliz. Mas também não lhe posso chamar felicidade. É um estado de existência que não passa de um estado de existência. Não queres parar de respirar mas também não queres respirar. Como que uma realidade contraditória.
Gostava, juro que gostava que tudo parasse por um segundo e nos dessem as respostas todas. As perguntas podem ser diferentes mas as respostas convergem. As respostas convergem sempre.
2 da manhã e não tenho sono. 3 da manhã. 5 da manhã e não consigo dormir. Não é por causa de ti. Não é por causa de nada. Mas é por tudo. É por causa da natureza da vida. É por causa da minha natureza que é tão incompatível com a dos outros.
Não sabia que voltaria a amar. Não sabia que me voltaria a fechar desta forma excessiva. Nada sabia, tudo queria saber. Com nada fiquei. Mas tudo irei ter. A vida continua. E eu continuo. Continuo em frente. Sempre em frente. Sem paragens e, muito menos, sem recuos.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Então e tu?

Afinal qual é a definição de felicidade?
É quando estás no meio de uma multidão, onde estão todos felizes e tu sorris porque estão todos a fazer o mesmo? Que ordinário, secante.

Então e tu? E tu? O que é que tu sentes? Quando é que te sentes em casa mesmo não estando em casa?
O que é que te arranca os sorrisos mais verdadeiros? Aliás, não tem, necessariamente, de ser uma coisa, ou um lugar. Pode ser uma pessoa. Um momento. Pára e pensa: o que é que te faz feliz?
Ignora o que toda e qualquer pessoa poderá julgar e vai atrás da tua felicidade. Corre. Corre até não aguentares mais. Mas chega lá. E agarra-te à felicidade como tudo o que tens.
E eu? Posso agarrar-me a ti?

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Posso ir ter contigo agora?

Ontem, a caminho de casa, vi um casal de velhinhos. Era de noite e eles estavam a passear, juntos, de mãos dadas. Vi como a senhora olhava o seu marido, o amor da sua vida e isso fez-me acreditar ainda mais no amor. Fez-me realmente pensar que podemos passar a vida toda com a nossa pessoa preferida.
Passei por eles, baixei a cabeça e sorri.
Pensei em ti e pensei no quão bom seria termos algo assim. Já viste? Ficarmos juntos até sermos velhinhos. E até depois de sermos velhinhos. Perfeito.
Estás doente e estás longe e isso parte-me tanto o coração. Daria tudo para poder estar contigo e tomar conta de ti.
Tenho saudades tuas. Do teu sorriso e das tuas mãos. De estar abraçada a ti e de deixar o teu cheiro invadir a minha roupa e, de seguida, a minha pele. Tenho saudades de sentir a tua mão a dar-me uma festa na cara. Tenho tantas saudades tuas.
Como terá sido a vida daquele casal? Qual será a história deles? E nós? Como será a nossa vida? Como continuará a nossa história?
Isso pouco interessa. Desde que seja nossa.
Posso ir ter contigo agora? Tenho urgência de ti.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Puxa-me

Olha-me
Sente-me
Deseja-me
Olha-me outra vez
Estás a ver? Estás a perceber?
Aproxima-te
Respira
Respira-me
Dá-me um beijo lento
Suave
Apaixonado
Dá-me a tua mão
Puxa-me para ti
Percorre-me o corpo com a tua respiração
Beija-me a alma
Afasta-te
Provoca-me
Enlouquece-me
Faz-me um olhar de anjinho
Olhar inocente
Deixa-me dominar-te
Deixa-me manipular-te
Agarra-me como se eu fosse a última molécula de oxigénio da Terra
Mostra desejo e vontade
Ama-me como só tu sabes fazer
Sente
Sente o amor a devorar-te a pele
Desafia-me
Mostra-me que sou tua de forma possessiva
Agressiva
Exagerada
Sabes que gosto disso
Arranha-me as costas
Vês como me fazes sorrir?
Continua, não pares
Nunca pares
É tão bom ser tua

domingo, 17 de janeiro de 2016

Percebe como sou tua

Deixas-me tonta, apaixonada, louca por ti e pelo teu corpo.
Já não existe desejo, somente necessidade. Já não existe um eu e tu, somente um nós.
Quero-te, preciso-te. Amo-te. Peço que não me deixes. E tu não deixas.
Que raio de sentido faz a vida se não te tiver para apertar nas minhas carências?
Estou à tua espera, estou sempre à tua espera. E eu sei que vai chegar o dia em que tu vais chegar e todas as minhas necessidades serão satisfeitas.
Olha para mim, repara em cada detalhe. Observa-me como costumas fazer. Percebe como sou tua.
Gosto quando trocamos olhares, o mundo pára e nada mais precisa de fazer sentido. Fica tudo bem quando te tenho comigo.
Agarra o meu corpo. Agarra a minha alma. Leva-me ao limite. Desperta a mulher que há em mim. Sei que sabes fazer isso.
Força, abraça-me, aperta-me, beija-me, fode-me. Até ao último suspiro. Até não aguentarmos mais. E percebe como sou toda tua.
Pareço um brinquedo nas tuas mãos e, pela primeira vez, tenho de admitir que gosto disso. Gosto que me manipules. Gosto de ser tua. Gosto que me mostres que a vida é bela e que poder tem o amor sobre as pessoas. Gosto de ti. De forma descontrolada. De forma exagerada.
Como tudo aconteceu? Pouco importa. Foda-se que te amo tanto. E o resto? O resto é resto. Ele que se foda.
Tenho estado deitada na minha cama à tua espera. À espera do teu toque. À espera do teu beijo que me faz sentir a mulher mais desejada de todas. Deitas-te ao meu lado, vês os meus olhos a brilhar, toda eu brilho. E percebes que sou tua. Apenas tua.
Desligo-me do mundo e ligo-me a ti.
Amo-te tanto.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Eu sei

Sei que nunca me amaste. Sei que nunca estiveste com a cabeça onde estavas com o corpo. Sei que odeias a tua vida e fazer tudo para não te lembrares disso. Sei, meu amor, sei. A vida é uma merda 90% do tempo.
Sei que nunca precisaste de mim e tu que tudo o que dizias eram meras palavras para me meter a sorrir. Sei que sabias que eu sabia que me estavas a enganar mas, mesmo assim não paraste. Eu perdoo-te, meu anjo, eu perdoo-te como sempre perdoei.
Sei que não te fazia feliz e que discutíamos a maior parte do tempo, mas, supostamente, quem discute é porque se importa. Eu discutia porque te amava e tu discutias porque não me amas mas sabia o quão louca eu era por ti. E eu perdoo-te por isso também.
Sei que não me deixavas porque gostavas do poder que tinhas em mim, e eu deixava, mesmo sabendo que não devia.

Sei que quando estavas comigo, não querias estar comigo mas sim com outras.
Sei que me prometeste uma vida e que me irias amar para todo o sempre e eu fingi que acreditei. Fingi que acreditei com um sorriso na cara e os olhos a brilhar. Mas, meu amor, não era de felicidade que eles brilhavam senão de tristeza.
Fui forte por ti, fui forte por ti porque só te queria para mim e, mesmo vivendo uma ilusão, eu queria estar contigo e queria que me amasses, só a mim. Perdoa-me o egoísmo.

Eu aguentei tudo até hoje, mas hoje estou cansada. Cansada de esperar por quem nunca vai chegar e de amar alguém que não quer saber.
Perdoa-me, meu bem, mas hoje tenho de ir.

Reparei que, com ou sem ti, o sol continua a nascer todos os dias, já não está tanto frio assim e a cama já não parece tão vazia. Perdoa-me, meu amor, mas hoje tenho de ir.

Dizes tu

Dizes que me amas mas eu sei que não passa de uma ilusão. Dizes que precisas de mim mas eu sei que te estás pouco fodendo para mim. Dizes que é em mim que pensas às três da manhã quando a casa está silenciosa mas os teus pensamentos gritam mais alto que nunca. Dizes que é por mim que choras quando ninguém está a ver. Eu podia continuar esta lista quase infinita das mentiras que me contas mas, estou cansada, sabes?
Dizes para esperar por ti, só mais um segundo, só mais um minuto e esse segundo e minuto transformam-se numa hora, num dia, numa semana, num mês, num ano. A verdade é que estou há 3 anos à espera e estou a começar a fartar-me. Sei bem que quem ama espera o que for preciso mas, quem ama não mente também.

Não sei se é por nos amarmos demasiado ou por nunca nos termos amado. Há tantas coisas que não entendo.
Para quê existe a dor se já existe o amor?
Para quê existe o amor se já existes tu?